Por: Ricardo Camargos

“Arte Que Nem Sei”. Este o título escolhido por Mateus Servilha para o seu segundo filho literário. O primeiro, “O Vôo de Lelo”, navegou pelo universo infanto-juvenil. Agora brota a poesia, e o jovem autor se faz, no próprio título, uma pergunta de difícil resposta. Atrevo-me a uma resposta interrogativa: quem sabe lá mesmo o que é arte? Na minha modesta opinião, assim como o samba, poesia e literatura (as artes como um todo) são, definitivamente, aquelas coisas que não se aprendem no colégio. Têm pouco de academicismo e muito do dia-a-dia em nossa volta. Até porque, como o próprio autor reconhece em um de seus poemas, “certas rimas e certas verdades não combinam com a arte”. Na verdade, um pouco de teoria e, principalmente leitura, não fazem mal nenhum a um poeta. Todavia, ele tem que ter um tipo de olhos e ouvidos diferentes. Não sei se mais graves, mais agudos ou mais sensíveis. Só sei que são diferentes. Não ficam, necessariamente, fora (colados na frente e nos lados do rosto da gente). Ficam dentro, bem distantes da compreensão física que temos de nós mesmos. Poesia são os outros e, contraditoriamente, é também a forma que entendemos a nós mesmos. Poesia fica sempre por aí, nos rodeando no cotidiano, acontece a toda hora e, por isto, esta necessidade de ver e ouvir diferente. Mateus Servilha parece ter percebido isto muito cedo. No caso este “Arte Que Nem Sei”, começa pelo próprio “índice”, que nada indica e parte logo para as contradições entre a carne e alma do poeta, às vezes sendo curto e às vezes sendo denso, seja em tamanho ou em conteúdo. Assim como acredita que “às vezes vale a pena apontar o estilingue para as estrelas” imagina “ter encontrado um grande amor, que era um passarinho”. Desnecessário informar que o passarinho voou. Algo como “aquilo que não volta”. Consola-se, entretanto, com a constatação de que “as dores do fim não produzem o fim das alegrias do começo”. Passeia também pelas contradições ideológicas da política, desliza com prazer pelos sentimentos espaciais de sua formação em geografia e das viagens pelo Jequitinhonha mas, ao fim e ao cabo, retorna ao conceito de que a poesia está “em volta” e precisa ser capturada por olhos e ouvidos diferentes. Até porque, como ele mesmo reconhece, de nada vale um “amor guardado no bolso direito da calça velha”.

Autor:
Mateus de Moraes Servilha

Gênero:
Poesia

No de páginas:
64

ISBN:
978-85-7961-082-0

Detalhes:
Formato 14×21 cm / Papel pólen 80 g/m²

Preço:
R$ 25,00

Disponibilidade:
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Jorge Fernando dos Santos, Caminhante Noturno

Jorge Fernando dos Santos, "Caminhante Noturno"

“Toda noite é assim. Meus pés estão sempre me obrigando a fazer as coisas, sempre me arrastando por lugares desconhecidos e às vezes perigosos. Não me lembro quando foi que tudo começou e nem sei se isso acontece com as outras pessoas. Nunca perguntei a ninguém. Imagino que sempre foi assim com todo mundo. Comigo, pelo menos, tem ocorrido regularmente. Basta começar a caminhar dentro da noite para que meus pés assumam o controle do meu corpo. E não adianta tentar resistir. Por mais que eu queira detê-los, simplesmente não consigo…”

Jorge Fernando dos Santos tem mais de 30 livros publicados, entre eles os romances “Palmeira Seca” (Prêmio Guimarães Rosa), “O Rei da Rua” e “Sumidouro das Almas“, os dois primeiros adaptados para minissérie de TV. Lançou em 2005 pela Paulus o livro “ABC da MPB”, que inclui um CD com músicas de sua autoria. A publicação recebeu o selo de Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e integrou o catálogo da Feira de Livros de Bolonha, na Itália. Estreou na editora Paulinas em 2006 com o livro de haicais “Pó de Palavra“, que traz encartado um CD no qual fala os poemas, tendo ao fundo músicas do compositor Kristoff Silva. Publicou pela mesma editora o “Cordel das Lendas Bovinas“. Esses dois trabalhos também integraram o catálogo da Feira de Bolonha. Em 2008, lançou “Caiçara“, sobre o bairro onde mora, na coleção “BH – A cidade de cada um”, da Conceito Editorial; e em 2009 “Procura-se um Fantasma“, Atual Editora, e “Alice no país da natureza”, Paulus. Por esta mesma editora, lança em 2010 “As cores no mundo de Lúcia”

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“Penso que dentro de minha casca
não tem um bicho:
Tem um silêncio feroz.”

(Manoel de Barros)


Milton Rezende é um poeta do desvelamento. Sua principal característica é enfrentar a objetividade ruidosa e dispersa das coisas, da rotina, do comum e arrancar um sentido novo. Em Uma Escada que Deságua no Silêncio, o objeto limado pelo autor é o território bruto e confuso da memória.


Dessa forma, o autor evoca o aprofundamento aos temas básicos da condição humana: a solidão, o amor e a morte. Embora recorrentes, é verdade, no caso de Uma Escada que Deságua no Silêncio não pecam pela banalização ou gratuidade sentimentalista; dialogam com emanações da memória, de forma dialética e, por vezes, produzem impasses. Nessa batalha o autor atinge o limite possível da expressão poética encarnado densidade, conteúdo e tratamento estético conciso.



Lançamento: 21/12/2009

Na cidade de Juiz de Fora-MG

Milton Rezende nasceu em Ervália (MG), na primavera de 1962. Escreve em prosa e poesia e a sua obra se divide entre inéditos e publicados. Entre estas últimas encontram-se: “O Acaso das Manhãs” (1986), “Areia (À Fragmentação da Pedra)” (1989) e “De São Sebastião dos A­itos a Ervália – Uma Introdução” (2006).

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Maurício Possa Lopes, bacharel em filosofia e motorista,

lança seu primeiro livro pelo selo Terceira Margem

O selo Terceira Margem, um segmento da Editora Multifoco, anuncia seu primeiro lançamento; o romance Nota de Corte, do autor belo-horizontino Maurício Possa Lopes. O livro será lançado em outubro na cidade de São João del-Rei, onde o autor atualmente reside, e contará com a presença do escritor e editor  Marcos Vinicius Almeida.

Em seu romance de estréia, Maurício Possa Lopes retrata a vida de uma adolescente em meio às dificuldades inerentes à passagem da infância para a fase adulta, suas descobertas sexuais, seus medos quanto ao futuro profissional e suas tentativas, nem sempre acertadas, de alcançar seus objetivos.

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